Vivemos em um período de (re)definições políticas em um Brasil dividido por crenças - não apenas religiosas – onde todo mundo busca uma identidade. Há de se compreender que esse “acontecimento” não é novo, uma vez que os brasileiros nunca tiveram uma identidade única - graças a sua história rica em diversidade. Com a internet explodindo em todos os lares e os smartphones cada vez mais presentes, essa desesperada tentativa da busca pelo “quem sou eu” se tornou, na internet, no “Olha eu aqui” e “Olha o que estou fazendo”, “Olha o que estou apoiando” que todos conhecemos.

Cada vez mais internautas gritam através de bytes não apenas manifestar as ações do dia, mas por causas que no fundo eles realmente talvez não se importem, apenas para registrar que estão cientes do que está acontecendo a sua volta.

Esse tipo de internauta já tem nome, e essa atividade de reclamar causas na internet apenas com “share”, “like” e comentários como “Que absurdo”, “porque o Governo não faz nada?” já tem nome - o Slacktivism. Este pode parecer um termo novo mas, na verdade, ele já vem sendo utilizada por estudiosos e socialistas. Slacktivism, na etimologia significa algo como “Ativismo preguiçoso”, muito conhecido também como “ativismo de Sofá” ou “sofativismo”, também definido pelo dicionário Oxford como: “ações realizadas através da Internet em prol de uma causa política ou social, mas considerado como requerendo pouco tempo ou envolvimento, por exemplo, assinar uma petição on-line ou participar de um grupo de campanha em um site de mídia social, com o mínimo de esforço”.

Slacktivist Banksy

Se você é um slacktivista orgulhoso, saiba que esse é um termo depreciativo, do qual você não tem nada a se orgulhar, que geralmente define campanhas, normalmente nas redes sociais, com pouco ou sem nenhum resultado prático ou efeito duradouro, onde geralmente as mesmas pessoas que buscam uma identidade, participam para mostrar que estão por dentro do que acontece no mundo.

Se você compartilhou, em 2012,  o famoso documentário criado pela organização Invisible Children, que se tornou viral no mundo - o Kone 2012 - saiba que possivelmente você foi ou é um slacktivista. Quer saber se sim ou não? Então responda: “Você foi pessoalmente até as autoridades brasileiras pedir um posicionamento formal em relação a Joseph Kony, guerrilheiro acusado de capturar milhares de crianças para se juntarem a suas forças armadas?” Se a resposta foi “sim”, parabéns você merece meu respeito, mas se a resposta foi não, para você, rir do “Porco-Aranha” nos Simpsons e compartilhar justiça no Facebook é a mesma coisa.

Seja você um Kone hater ou um Guarani-Kaiowá,  em 2013 também houve uma grande corrente de pessoas compartilhando imagens de pessoas desaparecidas na internet, com a finalidade de elas serem encontradas. Claro que isso ajuda em algum grau, mas quantas dessas pessoas realmente estavam engajadas com essas causas a ponto de saírem nas ruas e procurar as pessoas desaparecidas? Mais recente, o caso do Deputado Marcos Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal,  responsável por um grande levante nas redes sociais. Mas no momento em que o protesto saiu do mundo virtual, apenas uma parcela ínfima dos reclamantes foram às ruas ou para Brasília reclamar formalmente da sua falta de representatividade. Nos dois casos, Kony e Feliciano, as reclamações só serviram para uma coisa, tornar os sujeitos famosos.

Na contrapartida do Slackativismo, a UNICEF sueca recentemente lançou uma ótima campanha criticando esse ativismo de sofá com “likes” de Facebook, pedindo que, quem realmente quiser ajudar a causa, que faça doações ou se junte DE VERDADE à organização. A campanha que se chama “Likes don’t save lives” (“Likes” não salvam vidas) ilustra bastante do que foi falado aqui. A campanha que tem um tom irônico lembra os 177 mil likes que o UNICEF possui no Facebook, mas que esses “likes”, apesar de ajudar a levar a questão adiante, não são o bastante para ajudar as milhares de crianças do mundo contra doenças como a poliomielite.

 

 

Outras campanhas da mesma série, com tom mais humorístico;